ENTREVISTA - MICKEY - ARGENTINA
Depois de uma temporada no Rio de Janeiro, Mickey fugiu do ritmo dos livros escolares e se envolveu cada vez mais com letras rabiscadas no caderno. Não demorou muito para que essas letras fossem parar nos muros de Buenos Aires…
Qual é a sua relação com a rua e o graffiti?
Considero a rua como uma selva de pedra e nós como animais que andam à noite sob a Lua Cheia. A minha relação mais intima é com o bomb, as letras, tags que preenchem a cidade toda. Essa relação com o graffiti “vandal” é que realmente me encanta.
Por que Mickey?
O nome surgiu de um apelido dado por um amigo, o qual eu gostei por algum motivo. Depois de um tempo, achei um significado maior para ele. Quero dizer que o consumo também é uma ameaça. A figura do Mickey representa um símbolo infantil que também escraviza milhares de crianças através do trabalho em linhas de produção.
O que te motiva a pintar na rua?
Um dos principais motivos é que de alguma maneira eu quero mudar o mundo. Se as pessoas enxergam as minhas letras e sentem alguma coisa, nem que seja raiva, isso já se torna algo precioso para mim. Além da adrenalina e liberdade que são, com certeza, a principal razão de pintar na rua, também tem a reação das pessoas. Observar o que geramos no outro me motiva muito.
Quais são as suas principais influências?
Com certeza o Mickey (risos)… Bom, minhas principais referências são os meus amigos. Eles estão sempre por perto e é com eles que eu aprendo a cada dia um pouco mais.
Tem alguma grafiteira que te inspira?
A Utah! Ela é a garota mais vandal que eu já vi.
O que a rua representa na sua vida em uma frase?
O graffiti está na rua e quem faz também.
Fotos: Arquivo da Mickey.